sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Oque realmente foi o Golpe da República ?

A República no Brasil foi, desde o início, um projeto articulado por uma elite intelectual, com forte influência da maçonaria. O primeiro registro significativo do republicanismo organizado data de 3 de dezembro de 1870, com a publicação do Manifesto Republicano, lançado pelo Clube Republicano do Rio de Janeiro. Esse documento foi elaborado por figuras proeminentes da maçonaria, como Quintino Bocaiúva, Joaquim Saldanha Marinho (mestre do Grande Oriente do Brasil) e Salvador de Mendonça, entre outros signatários dissidentes do Partido Liberal.
Inicialmente, o movimento era restrito a uma minoria intelectual e não contava com amplo apoio popular. O republicanismo só ganhou força significativa a partir de 1888, após a abolição da escravatura (Lei Áurea, 13 de maio de 1888). Muitos ex-senhores de escravos, descontentes com a medida imperial e temendo perdas econômicas sem compensação, aderiram ao movimento republicano como forma de oposição à monarquia. A maçonaria posicionou o marechal Manuel Deodoro da Fonseca como figura de proa. Deodoro, que concentrava o descontentamento militar contra o governo imperial, foi elevado a grão-mestre honorário, embora haja debates sobre sua iniciação plena e conhecimento dos objetivos mais profundos da organização, como observado por historiadores como Joaquim Felício dos Santos em suas memórias e análises da época. A maçonaria manteve suas estruturas em alerta, aguardando o momento oportuno para agir. A monarquia já se encontrava enfraquecida por fatores como a Questão Militar, a insatisfação dos cafeicultores paulistas, o abolicionismo sem indenização e a saúde frágil de Dom Pedro II. Bastava um empurrão decisivo. Esse veio da articulação entre positivistas e maçons, com Benjamin Constant Botelho de Magalhães atuando como principal conselheiro e "oráculo" do movimento junto a Deodoro. Assim, em 15 de novembro de 1889, ocorreu o golpe que depôs o gabinete do Visconde de Ouro Preto e, em seguida, proclamou a República.
A respeito do marechal Deodoro da Fonseca
É amplamente documentado que Deodoro nunca foi um republicano convicto. Suas cartas ao sobrinho Clodoaldo da Fonseca revelam seu apoio firme à monarquia constitucional. Nela, ele escreveu textualmente:
“República no Brasil é coisa impossível, porque será uma verdadeira desgraça. Os brasileiros estão e estarão muito mal educados para serem republicanos. O único sustentáculo do nosso Brasil é a monarquia; se mal com ela, pior sem ela.”
Deodoro via a monarquia como o pilar da estabilidade nacional, apesar de suas falhas. No dia 15 de novembro de 1889, o objetivo inicial de Deodoro não era derrubar o Império, apenas depor o gabinete de Ouro Preto, alvo de forte oposição militar e civil. Relatos da época indicam que, ao marchar com as tropas pelo Rio de Janeiro, Deodoro teria gritado “Viva o Imperador!” (ou “Viva Sua Majestade, o Imperador!”) diante dos soldados. Após a ação, adoentado (sofrendo de graves problemas respiratórios), retornou para casa e descansou, convencido de que realizara apenas uma intervenção militar limitada. O que transformou o episódio em proclamação da República foi um fator pessoal agravado por desinformação. Dom Pedro II, ao tentar formar novo ministério, considerou nomear o senador gaúcho Gaspar Silveira Martins como chefe de gabinete. Silveira Martins era inimigo declarado de Deodoro há anos, desde disputas no Rio Grande do Sul, incluindo uma curiosa rivalidade amorosa pela mesma mulher, Maria Adelaide Andrade Neves Meirelles (a baronesa de Triunfo). A notícia exagerada pelos jornais repúblicanos de que Silveira Martins assumiria o poder enfureceu Deodoro, que se sentiu pessoalmente ultrajado e temeu retaliações. Pressionado pelos republicanos positivistas (especialmente Benjamin Constant), ele cedeu e, na madrugada de 16 de novembro, assinou o decreto instituindo o governo provisório republicano.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Intervenção Americana na Guerra do Paraguai

No final dos anos 1860, o mundo estava cansado de guerras. Na Europa, batalhas sangrentas como as da Crimeia e as unificações da Itália e Alemanha deixaram todo mundo exausto. Nos EUA, a Guerra Civil mal tinha acabado. Na América do Sul, além da Guerra do Paraguai, a Espanha brigava com países do Pacífico. Não é surpresa que nações neutras, como os EUA, Inglaterra, França e até Chile, Bolívia, Peru e Equador, quisessem intervir para parar o derramamento de sangue. Mas os EUA tinham motivos extras. Eles queriam aplicar a Doutrina Monroe, que basicamente dizia: "A América é dos americanos" (leia-se: dos EUA). Eles sonhavam em influenciar mais os países latinos e abrir portas para o comércio. No Brasil, que era o principal aliado contra o Paraguai, isso soava como uma intromissão indesejada. O Brasil, sob o Império, estava determinado a resolver o conflito do seu jeito, defendendo sua honra.
As Primeiras Tentativas Americanas de Mediação
Tudo começou em 1866. William Seward, secretário de Estado dos EUA, mandou recados para seus embaixadores na América do Sul. Ele disse: "Não queremos interferir, mas adoraríamos ajudar na paz se pedirem." A ideia veio de J. Watson Webb, embaixador no Brasil, que alertou: "Se não agirmos, Inglaterra e França vão entrar, e aí adeus Doutrina Monroe. O Brasil e os outros devem ver os EUA como protetores contra a Europa." Seward também via oportunidades de negócio. Ele comentou que a região do Rio da Prata era rica, mas a guerra estava atrapalhando o comércio. Os EUA tinham assinado tratados para abrir rios ao comércio, mas o conflito parou tudo. Para o Brasil, isso era secundário, o foco era vencer Solano López, que ameaçava a estabilidade regional. Em dezembro de 1866, o Congresso dos EUA aprovou uma resolução propondo uma conferência em Washington. Paraguai enviaria um representante, e os aliados (Brasil, Argentina e Uruguai) escolheriam os seus. O presidente americano seria o mediador neutro, sem voto. Haveria armistício imediato. Webb passou a ideia ao ministro brasileiro das Relações Exteriores, e o mesmo foi feito na Argentina.
A Recusa dos Aliados
Em 1867, os embaixadores americanos, como Charles Washburn no Paraguai e Alexander Asboth na Argentina, pressionaram por respostas. Washburn, amigo de López, convenceu o Paraguai facilmente. Mas Brasil se opunha firmemente, sentindo que podia acabar com a resistência paraguaia sozinho. A Argentina, dependente do apoio brasileiro, seguiu o exemplo. Washburn tentou falar com o Duque de Caxias, comandante brasileiro. Caxias disse claro: "Só paramos se López renunciar e sair do Paraguai." Washburn rebateu, defendendo o direito do povo paraguaio de escolher seu líder, mas isso só mostrou como os EUA ignoravam o tratado da Tríplice Aliança, que visava derrubar López para garantir a paz. Britânicos na região achavam a ideia americana ruim: Washington era longe, as negociações demorariam, e López usaria o tempo para se fortalecer. Os aliados lutavam por honra, algo que só eles podiam resolver. Finalmente, as recusas vieram: Argentina em 30 de março, Uruguai em 31, Brasil em 26 de abril. Todos disseram: "Estamos lutando contra um tirano ambicioso. Só nós podemos acabar com isso." No Brasil, isso ecoava o orgulho nacional, não íamos ceder a pressões externas.
Insistência Americana e Ressentimento Argentino
Os diplomatas insistiram tanto na Argentina que irritou o governo. Eles criticaram as condições internas argentinas, o que foi visto como intromissão. O ministro argentino rebateu: "Não é dever de um diplomata estrangeiro julgar nosso país." Seward teve que acalmar as coisas, mas isso mostrou a arrogância americana. O Brasil, firme, não cedeu. Em 1867, o presidente Johnson renovou ofertas, mas sem sucesso.
A Falha Inicial
Enquanto isso, Washburn ajudou López, e seu sucessor, Martin McMahon, foi ainda pior. Veterano da Guerra Civil, McMahon se envolveu na batalha de Lomas Valentinas, protegendo filhos de López, um risco que poderia puxar os EUA para a guerra. McMahon ofereceu mediação: López depõe armas, Brasil dá salvo-conduto. O Conde d'Eu recusou. McMahon saiu do Paraguai levando tesouros de López, o que manchou sua reputação. De volta aos EUA, McMahon atacou o Brasil em palestras e artigos, chamando-nos de "monarquia escravista" querendo conquistar repúblicas. Ele via o Paraguai como herói republicano e o Brasil como vilão expansionista. Em uma CPI americana, McMahon disse que os EUA deviam apoiar López para conter o Brasil e garantir comércio. Ele temia que o Brasil controlasse o Prata e fechasse rios para estrangeiros.
A Verdadeira Motivação dos EUA
Oficialmente neutros, os EUA ajudaram López e até pensaram em intervir com navios em 1867. Por quê? Para impedir potências regionais como o Brasil de crescerem independentes. Teóricos como Nicholas Spykman viam o Brasil como "perigoso" por sua posição estratégica. Os EUA sempre usam crises para enfraquecer rivais potenciais: exigindo abertura econômica, desmonte industrial. Mas o Brasil resistiu. Não cedemos a pressões, defendemos nossa honra. O Brasil deve ser forte e independente. Não importa o regime: monarquia ou república, estrangeiros tentarão nos conter.Resistir garante nosso futuro.
Fontes Efforts of the United States to Mediate in the Paraguayan War - Harold F. Peterson

Oque foi a guerra da Cisplatina ?

As conspirações juntavam os trabalhadores rurais contra o marechal Lecor, que era preguiçoso e ruim no que fazia. No dia 19 de abril de 1825, o líder Lavalleja chegou na Agraciada com 33 ou 34 amigos, chamando os gaúchos uruguaios para brigar pela independência contra o Império. O dinheiro e a ajuda vinham de Buenos Aires. Outro líder, Frutuoso Rivera, que trabalhava para o Brasil, traiu e foi para o lado inimigo, crescendo o exército deles enquanto os brasileiros ficavam parados. Os soldados brasileiros estavam em dois lugares principais: Montevidéu, onde Lecor não mexia um dedo, e Mercedes, liderada pelo general experiente José de Abreu, barão do Serro Largo. Em uma emboscada no Rincão das Galinhas, os rebeldes acabaram com a cavalaria que protegia Abreu. Em Sarandi, derrotaram o grupo de Bento Manuel. Sem ajuda de Lecor, que ficava escondido atrás das muralhas de Montevidéu, Abreu recuou para o Rio Grande do Sul, deixando o campo livre para os revoltosos. Eles fizeram da vila da Flórida sua capital e ficaram mais corajosos. Abreu, que poderia ter vencido os uruguaios com mais recursos, como já tinha feito entre 1816 e 1820, foi tirado do comando e trocado por gente incompetente. Isso parecia ser culpa do ministro da Guerra, marquês de Lages, que dava a impressão de querer perder de propósito, ajudando forças escondidas. Seis meses depois da chegada dos 33 ou 34, Buenos Aires declarou guerra. A marinha brasileira bloqueou o Rio da Prata. A Argentina revidou permitindo piratas atacarem. Aventureiros e bandidos de todo lugar, junto com grupos maçônicos, invadiam as costas do Brasil, roubando navios de comércio. Mas quando os brasileiros pegavam barcos inimigos furando o bloqueio, mesmo cheios de armas ilegais, países estrangeiros reclamavam, seguindo ordens secretas, criando brigas diplomáticas grandes.
A Invasão e Como o Império Reagiu
Em julho de 1826, o exército argentino, liderado por Carlos Alvear, maçon e ex-agente de Miranda, invadiu o Brasil pela fronteira. O plano era impedir que dois grupos do exército brasileiro se juntassem: um menor no Rio Grande do Sul e o maior em Sant'Ana do Livramento. O imperador deu o comando ao marquês de Barbacena, que encontrou tudo bagunçado, tropas enfraquecidas por doenças e fugas, cheias de bagunça e sem treino. Preguiçosos, medrosos e desanimados estragavam o exemplo, faltando armas, remédios, roupas, balas e comida, além de oito meses sem pagamento. Chegando na província de São Pedro, Caldeira Brant agiu rápido e esperto: montou comunicações, fortaleceu o Rio Grande, defendeu a Lagoa Mirim, aumentou a marinha, fez uma demonstração na costa de Maldonado, criou um lugar para novos soldados e chamou de volta quem estava espalhado. Essas ideias boas e velozes salvaram a imagem de Barbacena para a história. O imperador ficou perto do novo chefe para ver o problema de perto. Dom Pedro seguia a tradição portuguesa, que via o Rio da Prata como o maior desafio do Brasil, o lado fraco do país. Em 1827, o ministro Araujo disse a Martius: "Sem o Uruguai e as margens do La Plata, o Brasil não tem sossego". Quem era contra pedia paz no sul e chamava o imperador de doido e gastador de vidas e dinheiro dos outros. Não era só um grupo pequeno, mas um sentimento contra Portugal, reagindo mal à herança dura da briga, que Portugal achava vital para a paz do país. Esse pensamento estreito contra a herança difícil era, na verdade, contra as tradições e contra o Brasil. Foi isso que destruiu o Primeiro Império, bagunçou o período da Regência, causou rebeliões para separar estados, derrubou o Segundo Império com a República, levando ao positivismo das "pequenas nações" e, pelo materialismo, à bagunça de hoje. A morte da imperatriz fez o imperador voltar às pressas. Barbacena ficou para arrumar as tropas, unir os líderes e juntar os grupos contra um inimigo maior, com mais cavalos e canhões. Para piorar, o ministro da Guerra, conde (depois marquês) de Lages, atrapalhava sempre, como mostram as cartas oficiais entre eles.
Fofocas Políticas e a Verdade no Campo de Batalha
Os problemas na guerra se juntavam aos criados na capital por políticas liberais e maçônicas, cegas, sem noção, sem coração ou amor à pátria. Alguns até queriam que o inimigo estrangeiro vencesse os brasileiros, desde que o trono caísse. Gente como Bernardo de Vasconcelos, Lino Coutinho, Gonçalves Ledo e Vergueiro, políticos fingindo de generais, falavam da guerra e planos, espalhando ideias erradas e fortes no povo. Eles criavam inimigos, animavam ciumentos e permitiam críticas ruins. O povo simples acreditava em tudo como verdade. Onde já se viu políticos discutindo planos de guerra em público? Onde se faz guerra contra outro país sem declarar emergência? Só no Brasil, nos dois impérios, as ideias liberais forçaram isso, custando caro. Esse liberalismo falso preferia perder o que era importante para o país do que parar de fazer discursos vazios em reuniões barulhentas, divididas e sem força. Protegido pelos cavaleiros da Brigada Ligeira de Bento Manuel, Barbacena se mexeu para se juntar a Brown, vindo do Rio Grande. Sem dar certo, Alvear roubou Bagé e fugiu para a fronteira por São Simão. Os brasileiros foram atrás e viram o inimigo ao amanhecer de 20 de fevereiro de 1827, perto do Passo do Rosário, no rio Santa Maria, quase cruzando. Um riacho pequeno separava os dois lados. Os brasileiros atacaram em duas linhas: a primeira com o general Sebastião Barreto; a segunda com João Crisostomo Calado. Como a luta começou pela retaguarda, eles andaram muito para chegar no lugar, um erro que separou os grupos. Os cavalos inimigos, mais numerosos, entraram no meio. A briga durou até as 14h. Os soldados brasileiros em formação repeliram ataques seguidos, atirando de perto nos guerrilheiros de Serro Largo, que tentava segurá-los e morreu ali. Os argentinos botaram fogo na grama seca, cercando os brasileiros com chamas e fumaça. Ainda no controle, Barbacena mandou recuar de forma organizada, devagar e segura, pelo Passo do Cacequi. Parou a luta para não matar mais soldados cansados e sem bala. Os argentinos tinham pouca infantaria para vencer. No final, a Batalha de Ituzaingó (ou Passo do Rosário) não mudou nada; os argentinos fugiram rápido do Brasil, porque não davam conta de ficar. Essa "derrota" veio no pior momento. A propaganda argentina fez Ituzaingó parecer uma grande vitória pela liberdade da América do Sul contra reis ruins, criando um bando de exibidos. Usada como arma, ajudou no Brasil a atacar o trono por gente como os "alvaristas", que o enfraqueciam desde 1827.
O Caminho para a Paz e o Nascimento do Uruguai
Barbacena deu o comando a Brown e voltou ao Rio. O governo, como se seguisse ordens secretas, trocou por Lecor, o preguiçoso. Mas a Argentina estava acabada com a guerra. A batalha no mar de Monte Santiago em abril, onde destruímos seus barcos, foi um desastre para eles. Para salvar a Argentina sem vitória grande em terra ou mar, e tirar o pedaço brasileiro no Prata, no jogo político da América do Sul controlado por grupos maçônicos, a Inglaterra entrou em cena. Influenciada por um governo escondido citado no "Discurso de Aylesbury" por um judeu chamado d'Israel, a Inglaterra agiu. O representante britânico em Buenos Aires virou o chefe da política no continente. Atrás dos diplomatas argentinos, estavam Gordon, Ponsonby e Stuart. Quando os ingleses exageravam nas exigências, o marquês do Aracati, ministro das Relações Exteriores, respondia com calma e orgulho, defendendo o Império. O imperador sempre quis bem aos vizinhos, não importando o governo deles, nunca mandando soldados para a fronteira argentina ou começando briga. Portugal tomou a Cisplatina a convite dos locais, empurrado por Buenos Aires. O Brasil herdou e juntou a área em paz. Fez de tudo pela paz e só queria isso,mas uma paz justa, com ideias liberais e vantagens para todos. A pressão inglesa foi afastada, e os diplomatas brasileiros venceram o máximo possível. O acordo inicial foi assinado em 27 de agosto de 1828. Desde o dia 14, as partes principais já estavam combinadas entre os representantes, antes de lord Ponsonby chegar ao Rio. O imperador deu independência total à Cisplatina, criando um país livre garantido pelos vizinhos. Os uruguaios devolveriam as Missões roubadas por Rivera durante as conversas de paz. O Brasil perdeu uma província. Buenos Aires ficou sem seu vice-reinado completo. Uma nova nação apareceu na América.

sábado, 3 de janeiro de 2026

A Maçonaria-Inglesa na história do Brasil

Portugal já era escravo dos britânicos desde 1703, quando assinou o Tratado de Methuen com a Inglaterra. Isso transformou Portugal em um país dependente do comércio e das finanças inglesas. A influência francesa, que era mais cultural, perdeu espaço para a inglesa, que controlava os negócios e a política. Portugal ficou dividido entre essas duas forças rivais, o que enfraqueceu sua identidade como nação. Durante as guerras contra a França revolucionária em 1793, Portugal se aliou à Inglaterra e à Europa contra os franceses. Enviou navios e soldados, mas só sofreu prejuízos: franceses capturaram cargas valiosas do Brasil, valendo mais de 200 milhões de francos. A Espanha fez paz com a França e pressionou Portugal, que assinou um tratado em 1797. Mesmo assim, os privilégios comerciais ingleses continuaram, e a Inglaterra dominava cada vez mais a política portuguesa. Havia até grupos "pró-franceses" e "pró-ingleses" nas elites.
A Guerra de 1801
Em 1801, Napoleão Bonaparte, líder da França, fez a Espanha declarar guerra a Portugal. No tratado de paz de Badajoz, a França ganhou igualdade em tarifas com a Inglaterra. Isso fortaleceu os apoiadores franceses em Portugal. O general Lannes, enviado de Napoleão, influenciava até o governo em Lisboa. Mas Portugal dependia do mar para o comércio e suas colônias, como o Brasil. Por isso, continuou sendo como uma loja do comércio britânico. Quando Napoleão quis destruir a Inglaterra para dominar a Europa, Portugal sofreu por causa de sua aliança antiga com os ingleses.
A Fuga da Corte para o Brasil
Com a invasão francesa chegando, o Príncipe Regente D. João VI teve duas opções: se render ou fugir para o Brasil, onde ele também era rei. Os mares eram controlados pela Inglaterra, que ajudaria na fuga. No Brasil, ele poderia expandir territórios contra Espanha e França e, depois, reconquistar Portugal. Essa ideia não era nova. Já pensaram nisso no século XVII, durante perigos para a independência portuguesa. Em 1803, um ministro português sugeriu criar um grande império no Brasil. Em 1806, a própria Inglaterra propôs isso. Até um jornalista maçom em Londres apoiou.
A Abertura dos Portos e o Tratado de 1810
No caminho para o Rio, um conselheiro convenceu D. João a abrir os portos brasileiros para "nações amigas". Isso aconteceu em 28 de janeiro de 1808. No início, só ajudou a Inglaterra, que controlava os oceanos. O Brasil deixou de ser só uma colônia explorada por Portugal e virou um mercado aberto. O maior golpe veio com o Tratado de 1810, assinado em 19 de fevereiro. Ele deu monopólio comercial à Inglaterra, o que o Duque de Wellington chamou de "ruína de Portugal". Até 1814, o Brasil foi dominado pelo comércio britânico. Criou até um tribunal especial para ingleses, abolido só em 1832, com protestos de Londres. Essa dependência econômica foi agravada pela ação subterrânea da maçonaria, que, vinda das sinagogas da Inglaterra e dos Estados Unidos, e manobrada pelos Rothschild, preparou o terreno para revoluções no continente. A maçonaria inglesa, sob o duque de Sussex, protegia agitadores e conspiradores, facilitando a infiltração de ideias liberais no Brasil.
O Novo Império
Com a derrota de Napoleão na França, outro poder maçom, mais forte, foi instaurado, a Inglaterra Maçônica dos Rothschild, que durante o reinado do D. João em 1817, buscou consolidar seu poder de forma oculta, dando origem a duas revoltas: Revolução Pernambucana em 1817 no Brasil, Conspiração de 1817, em Portugal. D. João parecia alheio às atividades maçônicas no país, surgindo até teorias de que ele sabia das atividades maçônicas, porém, não interferiu. A perseguição por parte de D. João às lojas maçônicas só ocorreram a partir do momento que a Revolução Pernambucana revelou seu caráter antimonárquico. A Revolução Pernambucana foi orquestrada unicamente pela maçonaria, usando a tropa indisciplinada, e resultou em execuções como as de Domingos Martins, José Luiz de Mendonça e o padre Miguelinho. Muitos revoltosos foram iludidos quanto aos verdadeiros intuitos da maçonaria, que visava derrubar o poder real. Após a repressão, lojas como Caridade Olindense e Seis de Março de 1817 persistiram, mesmo sob perseguição. Depois das perseguições, os maçons passaram a se reunir na residência de Domingos de Ataíde Moncôrvo, dessa mesma loja se fundou o Grande Oriente do Brasil, em 1822.
A Independência do Brasil
A ideia do Brasil se tornar uma nação independente surgiu já de ideais maçônicos, que buscavam separar o Brasil de Portugal e inicialmente consideravam criando uma república, porém, uma parte dos maçons, mais conservadores, queriam manter a dinastia Bragança no Brasil, em uma monarquia constitucional. Para evitar divisões dentro da maçonaria, deixou-se de lado a ideia de uma república e se abraçou a Monarquia Constitucional. Entretanto, os maçons não foram os únicos a apoiar a Independência, que recebeu apoio também de Nacionalistas Brasileiros e Portugueses Anti-Maçons, como Marcos de Noronha e Brito (8º conde dos Arcos), que apoiava a ideia de D. João voltar para Portugal e deixar seu filho no Brasil. A maçonaria atuou como o cérebro da independência, coordenando centros no continente, com ligações à maçonaria mirandista liderada pelo General Miranda, financiada pelo ouro dos Rothschild. Miranda, figura chave nas tentativas de independência americana, espalhou lojas mirandistas para envolver o continente na teia maçônica de Londres. Quando o Príncipe, Dom Pedro, assumiu a regência do Brasil, formou um ministério inicial com figuras conservadoras e colocou no poder logo Anti-Maçons, o que agitou revolta nos liberais e na maçonaria. Portanto, Dom Pedro estava destinado a cair por isso. Sob pressão das elites maçônicas e dos motins militares, Dom Pedro mandou deportar Marcos de Noronha e Brito para Portugal em junho de 1821, isso humilhou Dom Pedro, forçando-o a se curvar perante a ordem maçônica influente e tendo que abrir portas para uma nova regência mais alinhada aos interesses da maçonaria e dos liberais brasileiros. Com a promulgação da Constituição Portuguesa de 1822, criada com forte influência pelos maçons de Portugal, Dom Pedro procurou inicialmente se alinhar aos interesses constitucionais e prometeu criar uma constituição para o Brasil, mas, isso gerou revolta na "velha guarda" presente no Brasil (Reacionários Portugueses, Elites Locais Brasileiras e setores da Igreja Católica), que tradicionalmente se opunham à maçonaria, que acusavam os maçons de Portugal de tentarem recolonizar o Brasil com sua nova ordem iluminista.
A maçonaria via a independência como resultado de uma conjura, considerando-a sua obra com orgulho, e atuou como escola de disciplina, unindo esforços pela emancipação. Feita a Constituição de Portugal, as Cortes maçônicas de Portugal queriam submeter o Brasil aos seus interesses, então, enviaram tropas ao Rio de Janeiro, afim de obrigar o então príncipe a voltar para Portugal. Dom Pedro foi obrigado a se aliar as mesmas forças secretas com a qual estava em guerra antes. Dom Pedro ficou no Brasil. José Bonifácio e os demais maçons incentivam a resistência de D. Pedro. A maçonaria não queria perder o Príncipe, que pensavam estar ele a suas custas do seu jogo politico. O "Fico" era o começo da independência. No dia em que o Príncipe oficializou sua desobediência às Cortes de Lisboa, a separação do Brasil de Portugal estava virtualmente feita. Todo esse processo financiado por maçons. Dom Pedro iniciou na maçonaria em 2 de agosto de 1822, no 'Apostolado da Nobre Ordem dos Cavaleiros de Santa Cruz', recebendo o título de Guatimozin e prestando preito expressivo à maçonaria. No dia 13 de julho de 1822, foi eleito Mestre do Grande Oriente, e em 7 de Setembro de 1822, após o Grito do Ipiranga, proclamou a independência do Brasil, com os Ideais de "Independência ou Morte!", curiosos ideais esses que, inclusive, vinham dos dizeres maçônicos: "União e Liberdade, Independência ou Morte.
No dia 4 de outubro de 1822, foi proclamado Grão-Mestre do Grande Oriente por José Bonifácio. Após a Independência do Brasil em 1822, a maçonaria dividiu-se em facções: conservadores, liderados por José Bonifácio (Grão-Mestre do Grande Oriente Brasílico e do Apostolado), defendiam uma monarquia constitucional e maior autonomia no Reino Unido com Portugal; liberais, comandados por Gonçalves Ledo e Cônego Januário da Cunha Barbosa (Grande Oriente), buscavam rompimento imediato e inclinavam-se ao republicanismo. Bonifácio perseguiu Ledo, acusando-o de conspirar contra Dom Pedro I para implantar uma república. O Imperador apoiou a repressão: Januário foi preso, Ledo exilou-se em Buenos Aires, e outros foram detidos ou deportados. A devassa revelou mais intrigas políticas que provas concretas. Os aliados de Bonifácio dominaram a Assembleia Constituinte de 1823, mas conflitos com deputados e o Imperador levaram à suspensão de lojas maçônicas e à dissolução da Assembleia em novembro de 1823. Bonifácio e aliados foram exilados para a França, e a Constituição monárquica e centralizadora foi outorgada em 1824. Anos depois, Bonifácio reconciliou-se com Dom Pedro, retornando ao Brasil em 1829. Em 1832, uniu-se a Ledo no Manifesto Maçônico, denunciando o "perjúrio" do Imperador. A luta entre o soberano e as facções continuou até a abdicação de Dom Pedro I em 7 de abril de 1831, atribuída aos liberais exaltados, com tons de conspiração maçônica.
A Reação de D. João VI
D. João VI considerava a independência do Brasil uma separação forçada pelas forças maçônicas e revolucionárias, que enfraqueceram a união do Reino Unido. Após o regresso a Portugal em 1821, tentou reconciliação enviando missões para restaurar a monarquia dual, mas D. Pedro recusou. Convencido da impossibilidade de reconquista militar após derrotas como a da Bahia, aceitou o reconhecimento em 1825, mediado pela Inglaterra e influenciado pelos Rothschild, recebendo indenização e o título honorário de Imperador do Brasil para manter a ilusão de unidade familiar e territorial. Morreu em 1826, lamentando a perda, mas resignado à Providência divina
Fontes História Secreta do Brasil (Volume II) - Gustavo Barroso Movimento de Independência - Oliveira Lima O Rei do Brasil - Pedro Calmon

Oque realmente foi o Golpe da República ?

A República no Brasil foi, desde o início, um projeto articulado por uma elite intelectual, com forte influência da maçonaria. O primeiro...