No final dos anos 1860, o mundo estava cansado de guerras. Na Europa, batalhas sangrentas como as da Crimeia e as unificações da Itália e Alemanha deixaram todo mundo exausto. Nos EUA, a Guerra Civil mal tinha acabado. Na América do Sul, além da Guerra do Paraguai, a Espanha brigava com países do Pacífico. Não é surpresa que nações neutras, como os EUA, Inglaterra, França e até Chile, Bolívia, Peru e Equador, quisessem intervir para parar o derramamento de sangue.
Mas os EUA tinham motivos extras. Eles queriam aplicar a Doutrina Monroe, que basicamente dizia: "A América é dos americanos" (leia-se: dos EUA). Eles sonhavam em influenciar mais os países latinos e abrir portas para o comércio. No Brasil, que era o principal aliado contra o Paraguai, isso soava como uma intromissão indesejada. O Brasil, sob o Império, estava determinado a resolver o conflito do seu jeito, defendendo sua honra.
As Primeiras Tentativas Americanas de Mediação
Tudo começou em 1866. William Seward, secretário de Estado dos EUA, mandou recados para seus embaixadores na América do Sul. Ele disse: "Não queremos interferir, mas adoraríamos ajudar na paz se pedirem." A ideia veio de J. Watson Webb, embaixador no Brasil, que alertou: "Se não agirmos, Inglaterra e França vão entrar, e aí adeus Doutrina Monroe. O Brasil e os outros devem ver os EUA como protetores contra a Europa."
Seward também via oportunidades de negócio. Ele comentou que a região do Rio da Prata era rica, mas a guerra estava atrapalhando o comércio. Os EUA tinham assinado tratados para abrir rios ao comércio, mas o conflito parou tudo. Para o Brasil, isso era secundário, o foco era vencer Solano López, que ameaçava a estabilidade regional.
Em dezembro de 1866, o Congresso dos EUA aprovou uma resolução propondo uma conferência em Washington. Paraguai enviaria um representante, e os aliados (Brasil, Argentina e Uruguai) escolheriam os seus. O presidente americano seria o mediador neutro, sem voto. Haveria armistício imediato. Webb passou a ideia ao ministro brasileiro das Relações Exteriores, e o mesmo foi feito na Argentina.

A Recusa dos Aliados
Em 1867, os embaixadores americanos, como Charles Washburn no Paraguai e Alexander Asboth na Argentina, pressionaram por respostas. Washburn, amigo de López, convenceu o Paraguai facilmente. Mas Brasil se opunha firmemente, sentindo que podia acabar com a resistência paraguaia sozinho. A Argentina, dependente do apoio brasileiro, seguiu o exemplo.
Washburn tentou falar com o Duque de Caxias, comandante brasileiro. Caxias disse claro: "Só paramos se López renunciar e sair do Paraguai." Washburn rebateu, defendendo o direito do povo paraguaio de escolher seu líder, mas isso só mostrou como os EUA ignoravam o tratado da Tríplice Aliança, que visava derrubar López para garantir a paz.
Britânicos na região achavam a ideia americana ruim: Washington era longe, as negociações demorariam, e López usaria o tempo para se fortalecer. Os aliados lutavam por honra, algo que só eles podiam resolver.
Finalmente, as recusas vieram: Argentina em 30 de março, Uruguai em 31, Brasil em 26 de abril. Todos disseram: "Estamos lutando contra um tirano ambicioso. Só nós podemos acabar com isso." No Brasil, isso ecoava o orgulho nacional, não íamos ceder a pressões externas.

Insistência Americana e Ressentimento Argentino
Os diplomatas insistiram tanto na Argentina que irritou o governo. Eles criticaram as condições internas argentinas, o que foi visto como intromissão. O ministro argentino rebateu: "Não é dever de um diplomata estrangeiro julgar nosso país."
Seward teve que acalmar as coisas, mas isso mostrou a arrogância americana. O Brasil, firme, não cedeu. Em 1867, o presidente Johnson renovou ofertas, mas sem sucesso.
A Falha Inicial
Enquanto isso, Washburn ajudou López, e seu sucessor, Martin McMahon, foi ainda pior. Veterano da Guerra Civil, McMahon se envolveu na batalha de Lomas Valentinas, protegendo filhos de López, um risco que poderia puxar os EUA para a guerra.
McMahon ofereceu mediação: López depõe armas, Brasil dá salvo-conduto. O Conde d'Eu recusou. McMahon saiu do Paraguai levando tesouros de López, o que manchou sua reputação.
De volta aos EUA, McMahon atacou o Brasil em palestras e artigos, chamando-nos de "monarquia escravista" querendo conquistar repúblicas. Ele via o Paraguai como herói republicano e o Brasil como vilão expansionista.
Em uma CPI americana, McMahon disse que os EUA deviam apoiar López para conter o Brasil e garantir comércio. Ele temia que o Brasil controlasse o Prata e fechasse rios para estrangeiros.
A Verdadeira Motivação dos EUA
Oficialmente neutros, os EUA ajudaram López e até pensaram em intervir com navios em 1867. Por quê? Para impedir potências regionais como o Brasil de crescerem independentes.
Teóricos como Nicholas Spykman viam o Brasil como "perigoso" por sua posição estratégica. Os EUA sempre usam crises para enfraquecer rivais potenciais: exigindo abertura econômica, desmonte industrial.
Mas o Brasil resistiu. Não cedemos a pressões, defendemos nossa honra.
O Brasil deve ser forte e independente. Não importa o regime: monarquia ou república, estrangeiros tentarão nos conter.Resistir garante nosso futuro.
Fontes
Efforts of the United States to Mediate in the Paraguayan War - Harold F. Peterson
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