sábado, 3 de janeiro de 2026

A Maçonaria-Inglesa na história do Brasil

Portugal já era escravo dos britânicos desde 1703, quando assinou o Tratado de Methuen com a Inglaterra. Isso transformou Portugal em um país dependente do comércio e das finanças inglesas. A influência francesa, que era mais cultural, perdeu espaço para a inglesa, que controlava os negócios e a política. Portugal ficou dividido entre essas duas forças rivais, o que enfraqueceu sua identidade como nação. Durante as guerras contra a França revolucionária em 1793, Portugal se aliou à Inglaterra e à Europa contra os franceses. Enviou navios e soldados, mas só sofreu prejuízos: franceses capturaram cargas valiosas do Brasil, valendo mais de 200 milhões de francos. A Espanha fez paz com a França e pressionou Portugal, que assinou um tratado em 1797. Mesmo assim, os privilégios comerciais ingleses continuaram, e a Inglaterra dominava cada vez mais a política portuguesa. Havia até grupos "pró-franceses" e "pró-ingleses" nas elites.
A Guerra de 1801
Em 1801, Napoleão Bonaparte, líder da França, fez a Espanha declarar guerra a Portugal. No tratado de paz de Badajoz, a França ganhou igualdade em tarifas com a Inglaterra. Isso fortaleceu os apoiadores franceses em Portugal. O general Lannes, enviado de Napoleão, influenciava até o governo em Lisboa. Mas Portugal dependia do mar para o comércio e suas colônias, como o Brasil. Por isso, continuou sendo como uma loja do comércio britânico. Quando Napoleão quis destruir a Inglaterra para dominar a Europa, Portugal sofreu por causa de sua aliança antiga com os ingleses.
A Fuga da Corte para o Brasil
Com a invasão francesa chegando, o Príncipe Regente D. João VI teve duas opções: se render ou fugir para o Brasil, onde ele também era rei. Os mares eram controlados pela Inglaterra, que ajudaria na fuga. No Brasil, ele poderia expandir territórios contra Espanha e França e, depois, reconquistar Portugal. Essa ideia não era nova. Já pensaram nisso no século XVII, durante perigos para a independência portuguesa. Em 1803, um ministro português sugeriu criar um grande império no Brasil. Em 1806, a própria Inglaterra propôs isso. Até um jornalista maçom em Londres apoiou.
A Abertura dos Portos e o Tratado de 1810
No caminho para o Rio, um conselheiro convenceu D. João a abrir os portos brasileiros para "nações amigas". Isso aconteceu em 28 de janeiro de 1808. No início, só ajudou a Inglaterra, que controlava os oceanos. O Brasil deixou de ser só uma colônia explorada por Portugal e virou um mercado aberto. O maior golpe veio com o Tratado de 1810, assinado em 19 de fevereiro. Ele deu monopólio comercial à Inglaterra, o que o Duque de Wellington chamou de "ruína de Portugal". Até 1814, o Brasil foi dominado pelo comércio britânico. Criou até um tribunal especial para ingleses, abolido só em 1832, com protestos de Londres. Essa dependência econômica foi agravada pela ação subterrânea da maçonaria, que, vinda das sinagogas da Inglaterra e dos Estados Unidos, e manobrada pelos Rothschild, preparou o terreno para revoluções no continente. A maçonaria inglesa, sob o duque de Sussex, protegia agitadores e conspiradores, facilitando a infiltração de ideias liberais no Brasil.
O Novo Império
Com a derrota de Napoleão na França, outro poder maçom, mais forte, foi instaurado, a Inglaterra Maçônica dos Rothschild, que durante o reinado do D. João em 1817, buscou consolidar seu poder de forma oculta, dando origem a duas revoltas: Revolução Pernambucana em 1817 no Brasil, Conspiração de 1817, em Portugal. D. João parecia alheio às atividades maçônicas no país, surgindo até teorias de que ele sabia das atividades maçônicas, porém, não interferiu. A perseguição por parte de D. João às lojas maçônicas só ocorreram a partir do momento que a Revolução Pernambucana revelou seu caráter antimonárquico. A Revolução Pernambucana foi orquestrada unicamente pela maçonaria, usando a tropa indisciplinada, e resultou em execuções como as de Domingos Martins, José Luiz de Mendonça e o padre Miguelinho. Muitos revoltosos foram iludidos quanto aos verdadeiros intuitos da maçonaria, que visava derrubar o poder real. Após a repressão, lojas como Caridade Olindense e Seis de Março de 1817 persistiram, mesmo sob perseguição. Depois das perseguições, os maçons passaram a se reunir na residência de Domingos de Ataíde Moncôrvo, dessa mesma loja se fundou o Grande Oriente do Brasil, em 1822.
A Independência do Brasil
A ideia do Brasil se tornar uma nação independente surgiu já de ideais maçônicos, que buscavam separar o Brasil de Portugal e inicialmente consideravam criando uma república, porém, uma parte dos maçons, mais conservadores, queriam manter a dinastia Bragança no Brasil, em uma monarquia constitucional. Para evitar divisões dentro da maçonaria, deixou-se de lado a ideia de uma república e se abraçou a Monarquia Constitucional. Entretanto, os maçons não foram os únicos a apoiar a Independência, que recebeu apoio também de Nacionalistas Brasileiros e Portugueses Anti-Maçons, como Marcos de Noronha e Brito (8º conde dos Arcos), que apoiava a ideia de D. João voltar para Portugal e deixar seu filho no Brasil. A maçonaria atuou como o cérebro da independência, coordenando centros no continente, com ligações à maçonaria mirandista liderada pelo General Miranda, financiada pelo ouro dos Rothschild. Miranda, figura chave nas tentativas de independência americana, espalhou lojas mirandistas para envolver o continente na teia maçônica de Londres. Quando o Príncipe, Dom Pedro, assumiu a regência do Brasil, formou um ministério inicial com figuras conservadoras e colocou no poder logo Anti-Maçons, o que agitou revolta nos liberais e na maçonaria. Portanto, Dom Pedro estava destinado a cair por isso. Sob pressão das elites maçônicas e dos motins militares, Dom Pedro mandou deportar Marcos de Noronha e Brito para Portugal em junho de 1821, isso humilhou Dom Pedro, forçando-o a se curvar perante a ordem maçônica influente e tendo que abrir portas para uma nova regência mais alinhada aos interesses da maçonaria e dos liberais brasileiros. Com a promulgação da Constituição Portuguesa de 1822, criada com forte influência pelos maçons de Portugal, Dom Pedro procurou inicialmente se alinhar aos interesses constitucionais e prometeu criar uma constituição para o Brasil, mas, isso gerou revolta na "velha guarda" presente no Brasil (Reacionários Portugueses, Elites Locais Brasileiras e setores da Igreja Católica), que tradicionalmente se opunham à maçonaria, que acusavam os maçons de Portugal de tentarem recolonizar o Brasil com sua nova ordem iluminista.
A maçonaria via a independência como resultado de uma conjura, considerando-a sua obra com orgulho, e atuou como escola de disciplina, unindo esforços pela emancipação. Feita a Constituição de Portugal, as Cortes maçônicas de Portugal queriam submeter o Brasil aos seus interesses, então, enviaram tropas ao Rio de Janeiro, afim de obrigar o então príncipe a voltar para Portugal. Dom Pedro foi obrigado a se aliar as mesmas forças secretas com a qual estava em guerra antes. Dom Pedro ficou no Brasil. José Bonifácio e os demais maçons incentivam a resistência de D. Pedro. A maçonaria não queria perder o Príncipe, que pensavam estar ele a suas custas do seu jogo politico. O "Fico" era o começo da independência. No dia em que o Príncipe oficializou sua desobediência às Cortes de Lisboa, a separação do Brasil de Portugal estava virtualmente feita. Todo esse processo financiado por maçons. Dom Pedro iniciou na maçonaria em 2 de agosto de 1822, no 'Apostolado da Nobre Ordem dos Cavaleiros de Santa Cruz', recebendo o título de Guatimozin e prestando preito expressivo à maçonaria. No dia 13 de julho de 1822, foi eleito Mestre do Grande Oriente, e em 7 de Setembro de 1822, após o Grito do Ipiranga, proclamou a independência do Brasil, com os Ideais de "Independência ou Morte!", curiosos ideais esses que, inclusive, vinham dos dizeres maçônicos: "União e Liberdade, Independência ou Morte.
No dia 4 de outubro de 1822, foi proclamado Grão-Mestre do Grande Oriente por José Bonifácio. Após a Independência do Brasil em 1822, a maçonaria dividiu-se em facções: conservadores, liderados por José Bonifácio (Grão-Mestre do Grande Oriente Brasílico e do Apostolado), defendiam uma monarquia constitucional e maior autonomia no Reino Unido com Portugal; liberais, comandados por Gonçalves Ledo e Cônego Januário da Cunha Barbosa (Grande Oriente), buscavam rompimento imediato e inclinavam-se ao republicanismo. Bonifácio perseguiu Ledo, acusando-o de conspirar contra Dom Pedro I para implantar uma república. O Imperador apoiou a repressão: Januário foi preso, Ledo exilou-se em Buenos Aires, e outros foram detidos ou deportados. A devassa revelou mais intrigas políticas que provas concretas. Os aliados de Bonifácio dominaram a Assembleia Constituinte de 1823, mas conflitos com deputados e o Imperador levaram à suspensão de lojas maçônicas e à dissolução da Assembleia em novembro de 1823. Bonifácio e aliados foram exilados para a França, e a Constituição monárquica e centralizadora foi outorgada em 1824. Anos depois, Bonifácio reconciliou-se com Dom Pedro, retornando ao Brasil em 1829. Em 1832, uniu-se a Ledo no Manifesto Maçônico, denunciando o "perjúrio" do Imperador. A luta entre o soberano e as facções continuou até a abdicação de Dom Pedro I em 7 de abril de 1831, atribuída aos liberais exaltados, com tons de conspiração maçônica.
A Reação de D. João VI
D. João VI considerava a independência do Brasil uma separação forçada pelas forças maçônicas e revolucionárias, que enfraqueceram a união do Reino Unido. Após o regresso a Portugal em 1821, tentou reconciliação enviando missões para restaurar a monarquia dual, mas D. Pedro recusou. Convencido da impossibilidade de reconquista militar após derrotas como a da Bahia, aceitou o reconhecimento em 1825, mediado pela Inglaterra e influenciado pelos Rothschild, recebendo indenização e o título honorário de Imperador do Brasil para manter a ilusão de unidade familiar e territorial. Morreu em 1826, lamentando a perda, mas resignado à Providência divina
Fontes História Secreta do Brasil (Volume II) - Gustavo Barroso Movimento de Independência - Oliveira Lima O Rei do Brasil - Pedro Calmon

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